Quem sou eu

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São Paulo, São Paulo, Brazil
Eu sou daquele tipo diferente de romântica que ama ler e escrever poesias, mas tem questões quanto a receber flores!!! Vivo estranhas contradições cotidianas. "Não sei quem sou que alma tenho. Quando falo com sinceridade não sei com que sinceridade falo. Sou variamente outro do que um eu que não sei se existe (se é esses outros)... Sinto crenças que não tenho. Enlevam-me ânsias que repudio. A minha perpétua atenção sobre mim perpetuamente me ponta traições de alma a um caráter que talvez eu não tenha,nem ela julga que eu tenho. Sinto-me múltiplo. Sou como um quarto com inúmeros espelhos fantásticos que torcem para reflexões falsas uma única anterior realidade que não está em nenhuma e está em todas. Como o panteísta se sente árvore (?) e até a flor, eu sinto-me vários seres. Sinto-me viver vidas alheias, em mim, incompletamente, como se o meu ser participasse de todos os homens,incompletamente de cada (?), por uma suma de não-eus sintetizados num eu postiço." Fernando Pessoa

terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Incrível...

Incrível é atravessar
picos de sentimentos
É proporcionar o bem
mesmo que por acaso
É amar e ser amado
É amar sem ser amado
e mesmo assim amar
É ver beleza no que há de mais simples
É ser feliz por poder gritar
É rir sem nenhum motivo
É chorar quando der vontade
Incrível é ser livre
mesmo restrito a possibilidades
É retomar a lembrança
e viver o presente
Incrivel é ser adulto
e ser feliz como criança

sábado, 20 de dezembro de 2008

Sem sentido

Frigorífico, casa de carne
Eu arrastaria um bonde
para ver a sua cara de babaca
Um coração apaixonado fica burro
Esquece as palavras
As obrigações
Esquece que depois do calor
vem a ressaca,
Que deixa o homem em prantos

E daí que as coisas não fazem sentido?
Nem a vida faz
Invertem-se os lados
A mentira vira verdade
O bem e o mal caminham de mãos dadas
Nada mais parece real
Afinal, o que é realidade?

A alma desconhece a carne
que desconhece a alma
Mas ambas formam o corpo
De repente é amor
Tavez seja loucura
Ou necessidade

E daí?
Que diferença faz?
O que vale mesmo é a felicidade
Os encontros
As despedidas
Os dias juntos

Nada importa
Não importa como
Não importa porque
Nada mesmo faz sentido
Nem os versos que aqui escrevo

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Anjo mau

Sorriso sem emoção
Beijo amargo
Falta de fé
Vida escassa
Indecisão
Destino sem propósito
Idas e vindas
Coração descompassado
Peito dilacerado
Dor
Canto sem palavras
Sonhos sem imagens
Estrelas sem brilho
Olhar perdido
Medo
Sol sem calor
Chuva seca
Anjo mau

domingo, 14 de dezembro de 2008

Elephant Gun

Já pensei em enterrar os meus sonhos
Desistir sem lutar
Talvez não tenha forças para o contrário
Chorar?
Chorar é uma fuga momentania
Mas só intensifica a dor
O que posso eu fazer?
Devo inventar minha própria sorte
ou minguar em minha insignificancia
Ouço aquela música
E ela me deixa triste
Talvez eu já estivesse triste
e ela só tenha reavivado o sentimento guardado
Rasgarei o silêncio
Vou atras do meu destino
O melhor é fazer acontecer
que esperar que caia do céu
pois jamais cairá do céu

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Hipocrisia

Esta hipocrisia desenfreada
me impede de respirar
Me embaça os olhos
Faz aflorar em mim
uma raiva intensa
Aflora meu desejo saciável
de matar aquele que me fere
De ver o outro sentir na pele
o mal que ele causa
Mas o desejo é saciável
e não saciado com a morte
É saciado apenas com o pensamento
É saciado com a certeza
de que tudo pode mudar
É saciado com a certeza
de que posso estar no controle
O hipócrita continuará mentindo
Mas conheço minha própria verdade

Me odeie

Me odeie
Não vou mudar o que sou
para te agradar
Sua vida é difícil?
A de quem não é?
Não me faça pagar um preço
pelas suas frustrações
Me contento com as minhas

Você sofre
Eu sofro
Nós sofremos
Porque você acredita
que sua dor é maior
que a dor dos outros?

Eu não posso saber dos seus problemas
se você não me disser
Não espere que eu os adivinhe
Se eu aponto seus erros
é porque eles existem

Intolerânte?
Eu sou intolerante
Não me peça para tolerar
Quero bem conviver
E se você não puder
amar esse meu eu
Me odeie

O poeta

Fantasia ou realidade
O que importa?
O que faz o poeta escrever?
São os meus sentimentos
Os seus sentimentos
e os sentimentos dele

Ele escreve o que vê
O que sente
Ou o que queria que fosse verdade
Ele cria
Imita
Mente
Desmente
Transforma arte em papel
e papel em arte

O poeta não quer que você chore
Que você sorria
Ou que você reflita
Ele simplesmente escreve
e é você quem atribui o significado

O poeta é um alguém que pensa
É um alguém que sente
É um alguém que peca
É um alguém que acerta
É só mais um alguém

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Surreal

Estou conversando com o vendo
Ele me diz
Que falou com o tempo
O tempo diz que cansou
E que vai parar
O vento não vai mais soprar
Será o fim?
Isso só o tempo irá dizer
Quando o vento soprar para avisar
Antes do tempo parar
A chuva diz que só vai gotejar
O sol não vai mais raiar
O sabiá não vai mais cantar
A lua não vai mais brilhar
A água talvez evapore
Talvez congele
Talvez
toda a atual configuração se altere
Mas se o tempo parar
Eu não vou mais perder tempo
E você ouvirá falar de mim

Absoluta

Se você se anima
quando eu te dou um sopro
Seu eu te der meu corpo
Você ficará louco por mim
Se eu dissesse que te quero
Você se apaixonaria
E seria mais um coração despedaçado
Se eu alimentasse seus devaneios
Você poderia chegar a loucura
E eu me sentiria culpada
Se eu dissesse que sim
sendo que é não
Eu alimentaria em ti
uma falsa esperança
Falsa para você
porque sou eu que não te quero
Não que eu te queira mal
Mas eu te peço
Não alimente uma paixão por mim
Jamais te enganei
Não engane a ti mesmo

domingo, 9 de novembro de 2008

Esperança

Vou deixar para lá
Enderder como um adeus
Não sei viver com meias verdade
Palavras não ditas
Falta de iniciativa
Não sou radical
Sou racional
Eu preciso estar no controle
A espera me corroe
O silêncio me distroi
Me parece indiferênça,
ainda que seja dito o contrário
Prefiro que seja eterno enquanto dure
do que seja um eterno fiasco
A eternidade acabou
e durou o tempo exato
Ainda vejo beleza
Ainda sinto o perfume
Ainda ouço risadas
Meu coração não está partido
Os meus olhos ainda brilham
E a felicidade ainda caminha ao nosso lado
Ainda que em lados opostos
Espero que você não seja o último a saber,
O fim pode ser um recomeço
Trazendo novas formas de felicidade
Não encare como um abandono
e sim como liberdade
Será melhor para ambos
Segue o seu destino, se é existe destino
Viva o recomeço