Quem sou eu

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São Paulo, São Paulo, Brazil
Eu sou daquele tipo diferente de romântica que ama ler e escrever poesias, mas tem questões quanto a receber flores!!! Vivo estranhas contradições cotidianas. "Não sei quem sou que alma tenho. Quando falo com sinceridade não sei com que sinceridade falo. Sou variamente outro do que um eu que não sei se existe (se é esses outros)... Sinto crenças que não tenho. Enlevam-me ânsias que repudio. A minha perpétua atenção sobre mim perpetuamente me ponta traições de alma a um caráter que talvez eu não tenha,nem ela julga que eu tenho. Sinto-me múltiplo. Sou como um quarto com inúmeros espelhos fantásticos que torcem para reflexões falsas uma única anterior realidade que não está em nenhuma e está em todas. Como o panteísta se sente árvore (?) e até a flor, eu sinto-me vários seres. Sinto-me viver vidas alheias, em mim, incompletamente, como se o meu ser participasse de todos os homens,incompletamente de cada (?), por uma suma de não-eus sintetizados num eu postiço." Fernando Pessoa

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

A poesia


E se não fosse a poesia
Quem mais eu seria
Quem mais eu poderia ser?

Vivendo num lugar
Que abandona seus filhos
Que incendeia seus pobres
Que desvia seus recursos
E que tenta nos convencer de que tudo é maravilhoso
Se não fosse a poesia preferia ser um tolo,
Um andarilho errante
Poderia ainda ser um louco,
Para tirar de foco o problema do mundo, coloca-los em mim
Ai sim,
Mas eis que há a poesia,
Me faz viver sem enlouquecer

Nesse mundo cruel e desumano
Um completo ignorante
Que não fixa pé 
Deixando pra trás todas as balelas que encontrasse pela frente
Um bêbado,
Um vagabundo
Um mentalmente doente
Essa seria uma alternativa, 
Essa sim não me abandona
Me faz expressar aquilo que penso, que sinto
Mesmo quando não sei que nome ou que forme tem isso

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