Quem sou eu

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São Paulo, São Paulo, Brazil
Eu sou daquele tipo diferente de romântica que ama ler e escrever poesias, mas tem questões quanto a receber flores!!! Vivo estranhas contradições cotidianas. "Não sei quem sou que alma tenho. Quando falo com sinceridade não sei com que sinceridade falo. Sou variamente outro do que um eu que não sei se existe (se é esses outros)... Sinto crenças que não tenho. Enlevam-me ânsias que repudio. A minha perpétua atenção sobre mim perpetuamente me ponta traições de alma a um caráter que talvez eu não tenha,nem ela julga que eu tenho. Sinto-me múltiplo. Sou como um quarto com inúmeros espelhos fantásticos que torcem para reflexões falsas uma única anterior realidade que não está em nenhuma e está em todas. Como o panteísta se sente árvore (?) e até a flor, eu sinto-me vários seres. Sinto-me viver vidas alheias, em mim, incompletamente, como se o meu ser participasse de todos os homens,incompletamente de cada (?), por uma suma de não-eus sintetizados num eu postiço." Fernando Pessoa

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Hipocrisia

Esta hipocrisia desenfreada
me impede de respirar
Me embaça os olhos
Faz aflorar em mim
uma raiva intensa
Aflora meu desejo saciável
de matar aquele que me fere
De ver o outro sentir na pele
o mal que ele causa
Mas o desejo é saciável
e não saciado com a morte
É saciado apenas com o pensamento
É saciado com a certeza
de que tudo pode mudar
É saciado com a certeza
de que posso estar no controle
O hipócrita continuará mentindo
Mas conheço minha própria verdade

Me odeie

Me odeie
Não vou mudar o que sou
para te agradar
Sua vida é difícil?
A de quem não é?
Não me faça pagar um preço
pelas suas frustrações
Me contento com as minhas

Você sofre
Eu sofro
Nós sofremos
Porque você acredita
que sua dor é maior
que a dor dos outros?

Eu não posso saber dos seus problemas
se você não me disser
Não espere que eu os adivinhe
Se eu aponto seus erros
é porque eles existem

Intolerânte?
Eu sou intolerante
Não me peça para tolerar
Quero bem conviver
E se você não puder
amar esse meu eu
Me odeie

O poeta

Fantasia ou realidade
O que importa?
O que faz o poeta escrever?
São os meus sentimentos
Os seus sentimentos
e os sentimentos dele

Ele escreve o que vê
O que sente
Ou o que queria que fosse verdade
Ele cria
Imita
Mente
Desmente
Transforma arte em papel
e papel em arte

O poeta não quer que você chore
Que você sorria
Ou que você reflita
Ele simplesmente escreve
e é você quem atribui o significado

O poeta é um alguém que pensa
É um alguém que sente
É um alguém que peca
É um alguém que acerta
É só mais um alguém

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Surreal

Estou conversando com o vendo
Ele me diz
Que falou com o tempo
O tempo diz que cansou
E que vai parar
O vento não vai mais soprar
Será o fim?
Isso só o tempo irá dizer
Quando o vento soprar para avisar
Antes do tempo parar
A chuva diz que só vai gotejar
O sol não vai mais raiar
O sabiá não vai mais cantar
A lua não vai mais brilhar
A água talvez evapore
Talvez congele
Talvez
toda a atual configuração se altere
Mas se o tempo parar
Eu não vou mais perder tempo
E você ouvirá falar de mim

Absoluta

Se você se anima
quando eu te dou um sopro
Seu eu te der meu corpo
Você ficará louco por mim
Se eu dissesse que te quero
Você se apaixonaria
E seria mais um coração despedaçado
Se eu alimentasse seus devaneios
Você poderia chegar a loucura
E eu me sentiria culpada
Se eu dissesse que sim
sendo que é não
Eu alimentaria em ti
uma falsa esperança
Falsa para você
porque sou eu que não te quero
Não que eu te queira mal
Mas eu te peço
Não alimente uma paixão por mim
Jamais te enganei
Não engane a ti mesmo

domingo, 9 de novembro de 2008

Esperança

Vou deixar para lá
Enderder como um adeus
Não sei viver com meias verdade
Palavras não ditas
Falta de iniciativa
Não sou radical
Sou racional
Eu preciso estar no controle
A espera me corroe
O silêncio me distroi
Me parece indiferênça,
ainda que seja dito o contrário
Prefiro que seja eterno enquanto dure
do que seja um eterno fiasco
A eternidade acabou
e durou o tempo exato
Ainda vejo beleza
Ainda sinto o perfume
Ainda ouço risadas
Meu coração não está partido
Os meus olhos ainda brilham
E a felicidade ainda caminha ao nosso lado
Ainda que em lados opostos
Espero que você não seja o último a saber,
O fim pode ser um recomeço
Trazendo novas formas de felicidade
Não encare como um abandono
e sim como liberdade
Será melhor para ambos
Segue o seu destino, se é existe destino
Viva o recomeço



quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Gostaria de morrer

Gostaria de estar presente
no momento após a minha morte
Gostaria de confortar os que sofrerem
e amaldiçoar os que tripudiarem
Gostaria de ter uma morte
rápida e imperceptível
Gostaria de morrer
em um dia ensolarado de verão
E que as pessoas fossem ao meu enterro
tomando seus deliciosos sorvetes de casquinha
Gostaria de saber quem se prontificará
a segurar meu caixão
Gostaria de saber as histórias que contarão sobre mim
e também sobre a minha partida
Gostaria que, por ser em um calor escaldante
Servissem sucos de frutas
àqueles que forem me dar o último adeus
Gostaria que ninguém ficasse triste
no momento da minha partida final
Gostaria de morrer no dia do meu nascimento!

Mais um dia

Silêncio
Estou ofegante
Um foco de luz se acende em meus olhos
me cegando
impedindo que eu veja
Soa um sininho lá longe
Ouço vozes distantes
Me sinto perdida
O tempo passa
O som do sininho se intensifica
Ouçio agora o tic-tac do relógio
Vou recuperando os sentidos
Olho ao redor
Reconheço o espaço
Estou no meu quarto
Me dou conta que o despertador está tocando
Hora de acordar...
É isso, vou encarar mais um dia